ENTRE A FÍSICA E A METAFÍSICA: MOVIMENTO, CAUSALIDADE E PRIMEIRO PRINCÍPIO EM ARISTÓTELES E TOMÁS DE AQUINO

Autores/as

  • Luana de Souza Nascimento Universidade Federal de Sergipe

Resumen

O presente artigo investiga a noção de movimento como princípio de inteligibilidade da filosofia natural em Aristóteles e Tomás de Aquino, analisando de que modo a investigação do ente móvel conduz aos limites da explicação física e exige o recurso à metafísica. Parte-se da definição aristotélica de movimento como ato do ente em potência enquanto em potência, bem como da estrutura causal fundada na relação entre ato e potência, motor e móvel. A partir da análise da Física e da Metafísica de Aristóteles, demonstra-se que a explicação do movimento implica a necessidade de um primeiro motor imóvel, concebido como fundamento da eternidade e continuidade do cosmos. Em seguida, examina-se a recepção tomista dessa problemática, especialmente na Summa Theologiae, na Summa contra Gentiles, no Comentário à Física e no De substantiis separatis. O artigo evidencia que Tomás preserva a estrutura argumentativa aristotélica, mas reinsere a análise do movimento em um horizonte metafísico mais amplo, no qual o primeiro motor é compreendido não apenas como causa do movimento, mas como causa do próprio ser dos entes. Busca-se mostrar, assim, que a via do movimento constitui simultaneamente uma investigação sobre a natureza do ente móvel e um percurso racional de ascensão ao primeiro princípio. Conclui-se que, o movimento opera como ponto de articulação entre física e metafísica, revelando os limites internos da filosofia natural e sua abertura necessária à investigação do ser enquanto ser.

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Publicado

2026-07-23