A NOÇÃO DE BEATITUDE EM TOMÁS DE AQUINO

Autores

  • André Lucas Santos Cruz Universidade Federal de Sergipe

Resumo

Este artigo analisa a noção de beatitude no pensamento de Tomás de Aquino, conforme as questões II e III da Prima Secundae (I-II) da Suma de Teologia. A investigação explora como o filósofo medieval articula as influências de Aristóteles e Agostinho para definir a felicidade não apenas como um estado emocional, mas como a ordenação dos atos racionais a um fim último. Inicialmente, discute-se a natureza do Sumo Bem, identificado como Deus, o único objeto capaz de satisfazer plenamente a vontade humana, que possui um anseio intrínseco pelo infinito. O trabalho distingue a beatitude sob dois aspectos: como objeto incriado (Deus) e como o ato de posse ou gozo desse objeto pela criatura (um ato criado da alma racional). Subsequentemente, aborda-se a dimensão antropológica, analisando a relação entre a alma e os bens do corpo. Embora Tomás de Aquino não rejeite a animalidade humana e reconheça a importância da saúde e dos sentidos, ele estabelece uma hierarquia clara onde os bens corporais são instrumentais e subordinados aos bens da alma. Argumenta-se que, como o corpo existe para a alma, a conservação do ser físico não pode constituir o fim último do homem. Conclui-se que a beatitude, para Aquinatae, consiste em um ato perfeito do intelecto — a contemplação — que permite ao homem participar da essência divina. Essa perspectiva oferece caminhos para a ética e a psicologia ao explicar a inquietude humana diante de bens finitos e a necessidade de orientar os desejos para o bem supremo.

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Publicado

2026-02-21

Edição

Seção

Artigos e Investigações Originais