VIOLÊNCIA EM O MORTO NA SALA
REFLEXÕES SOBRE A OBRA DE DALTON TREVISAN
DOI:
https://doi.org/10.32748/revec.v11i27.22081Palavras-chave:
Violência, ContosResumo
A violência tem sido um tema constantemente explorado em variadas produções literárias brasileiras e há notadamente diversos registros de violência de natureza psicológica, sexual, patrimonial e moral associados aos comportamentos próprios de uma sociedade violenta. A literatura de Dalton Trevisan (1925) denuncia de modo bastante incisivo a violência que ocorre nos ambientes doméstico, familiar ou privados que talvez seja tão ou mais cruel do que aquela que acontece nas ruas. Temos como hipótese que a literatura de Dalton Trevisan (1925), desempenha um papel crucial na formação do pensamento social sobre a violência. Ao abordar as complexas relações de poder e conflito no ambiente doméstico e familiar, o autor não apenas reflete as dinâmicas sociais de violência, mas também contribui para a compreensão das motivações e das dimensões sociais dessa violência na realidade brasileira. Como objetivos temos, a saber: (i) analisar as manifestações da violência na Curitiba de Dalton Trevisan, no conto O Morto na Sala, de Dalton Trevisan, identificando as situações de conflito nas relações interpessoais das personagens; (ii) interpretar o conto de Trevisan como uma expressão consciente da denúncia das violências subjacentes ao pensamento social brasileiro, considerando-os também como testemunhos de um período em que a violência no âmbito familiar não era debatida de forma tão ampla quanto é hoje. O corpus selecionado para este artigo é o conto O Morto na Sala, do livro Novelas nada exemplares (1956). A escolha do autor e de sua obra justifica-se pela abordagem singular que ele faz sobre a condição humana, utilizando uma escrita densa e provocativa que explora temas como afetividade, violência, miséria e outros, de maneira impactante e profunda. O arcabouço teórico que sustenta esse trabalho são: Berta Waldman (1982; 2009; 2014), Miguel Sanches Neto (1996), a Lei 11.340 para empreender a leitura e análise dos contos de Trevisan, buscando compreender como as situações violentas expressas nos contos são tematizadas por meio das categorias legais e institucionais, bem como verificando o modo como o discurso literário materializa essas situações nos contos selecionados. Dessa forma, os resultados obtidos evidenciam que a violência se configura como um reflexo da visão de mundo de uma sociedade historicamente marcada pela violência, que normaliza e minimiza seus impactos, tornando-a uma prática cotidiana.
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