Insurgências decoloniais em Língua Portuguesa: crônicas e trajetórias de escrita estudantil no Ensino Médio
DOI:
https://doi.org/10.20952/revtee.v18i37.23685Palavras-chave:
Cidadania crítica, Escrita estudantil, Linguagem dialógica, Perspectiva decolonial, Resistência epistemológicaResumo
Este estudo analisa crônicas produzidas por estudantes do Ensino Médio em um jornal escolar de uma instituição da Rede Federal no Sertão Paraibano. A pesquisa, de abordagem qualitativa, fundamenta-se na perspectiva decolonial (Mignolo, 2003; Kilomba, 2019) e na Teoria Dialógica da Linguagem (Bakhtin, 2003 [1979]; Volóchinov, 2017 [1929]) para compreender como a escrita estudantil pode atuar como prática crítica e insurgente. Foram examinadas crônicas que articulam saberes locais, memórias coletivas e repertórios culturais, tensionando hierarquias epistêmicas e deslocando discursos eurocêntricos. A análise evidenciou estratégias discursivas pelas quais os/as estudantes constroem narrativas éticas e estéticas, legitimando vozes historicamente silenciadas e promovendo reflexão sobre desigualdades. Conclui-se que o jornal escolar se constitui como espaço de resistência epistemológica e de formação crítica, no qual a escrita se configura como ato responsivo, dialógico e transformador, capaz de afirmar identidades, problematizar exclusões e ampliar horizontes para uma educação plural.
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