“Por que tem que falar de preto, o que nós fez?”

Uma análise interseccional com adolescentes acolhidos

Auteurs

Mots-clés :

Acolhimento Institucional;, Adolescentes, Interseccionalidade, Racismo institucional

Résumé

Este trabalho busca ampliar a compreensão das dinâmicas sociais e as interseccionalidades que afetam adolescentes acolhidos. Com foco ao debate sobre masculinidade negra e o processo de racismo institucional cometido pelas instituições e operadores de direito a partir de estereótipos raciais que interferem na reconfiguração das narrativas de vida, fortalecimento de identidade e autonomia desses adolescentes. Utilizamos o método de grupo focal com seis adolescentes acolhidos institucionalmente em uma cidade da Baixada Fluminense. No grupo focal utilizamos dinâmicas disparadoras para discussão e nossos resultados apontaram para significações relevantes produzidas pelos adolescentes acerca da intersecção entre raça, gênero e sexualidade, bem como uma perspectiva crítica em relação às políticas públicas e do direito que criminalizam esses corpos. A pesquisa também destaca a necessidade de intervenções que proponham alternativas que ajudem esses adolescentes a reconfigurar suas narrativas e autonomia, fortalecendo sua identidade racial e combatendo as discriminações que acompanham seus itinerários de existência. 

 

Téléchargements

Les données relatives au téléchargement ne sont pas encore disponibles.

Références

AGUIAR, W. M. J. A Pesquisa em Psicologia Sócio-Histórica: Contribuições para o debate metodológico. In: BOCK, A. M. Bahia; GONÇALVES, M. G. M.; FURTADO, O. Psicologia Sócio-Histórica: uma perspectiva crítica em Psicologia. 2ª ed. São Paulo: Cortez Editora, 2002.

AGUIAR, W.; ARANHA, Elvira; S., Júlio. Núcleos de significação: análise dialética das significações produzidas em grupo. Cadernos de Pesquisa (Fundação Carlos Chagas), v. 51, p. 1-16, 2021.

AGUIAR, Wanda M. J.; OZELLA, Sergio. Núcleos de significação como instrumento para a apreensão da constituição dos sentidos. Psicologia, Ciência e Profissão, Brasília (DF), v. 26, n. 2, p. 222-245, 2006.

ARANTES, E. M. de. Dos livres e dos cativos– breves apontamentos sobre a história das crianças no Brasil. Serviço Social em Debate, Carangola (MG), v. 5, n. 1, 2022. BICUDO, V. L. Atitudes dos alunos dos grupos escolares em relação com a cor dos seus colegas. In: BASTIDE, Roger; FERNANDES, Florestan (Orgs.).Relações raciais entre negros e brancos em São Paulo. São Paulo: Editora Anhembi/Unesco, 1955. BRASIL. Estatuto da criança e do adolescente. Lei Federal n. 8.069, de 13 de julho de 1990. Dispõe sobre o Estatuto da criança e do adolescente e dá outras providências. Brasília: Ministério da Justiça, 1990.

BRASIL. Política Nacional de Assistência Social. Brasília: Ministério do

Desenvolvimento Social e Combate à Fome. Secretaria Nacional de Assistência Social, 2004.

BRASIL, Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome. Norma Operacional Básica do Sistema Único de Assistência Social NOB/SUAS. Brasília, 2005. BRASIL, Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome.

BUENO, W. Imagens de controle: um conceito do pensamento de Patricia Hill Collins. Porto Alegre: Editora Zouk, 2020.

CARNEIRO, S. Dispositivo de racialidade: A construção do outro como não ser como fundamento do ser. Rio de Janeiro: Zahar, 2023.

COLLINS, P. H. Pensamento feminista negro: conhecimento, consciência e a política do empoderamento. São Paulo: Boitempo, 2019.

CONSELHO NACIONAL DE JUSTIÇA. Dados recolhidos do Sistema Nacional de Adoção e Acolhimento (SNA), em 2022. Brasília: CNJ, s/d. Disponível em: https://bit.ly/3B6RdYe. Acesso em julho de 2022.

COSTA, E. C.; SCHUCMAN., Lia V. Identidades, Identificações e Classificações Raciais: o Pardo e as Ações Afirmativas. Estudos e Pesquisas em Psicologia, Rio de Janeiro (RJ), v. 22, n. 2, p. 466-484, 2022.

CRENSHAW, K. W. “Mapping the margins: intersectionality, identity politics and violence against women of color”, 1991. Stanford Law Review, vol. 43, Julho de 1991, pp. 1241-1299 (Republicado em: Albertson Fineman, Martha; Mykitiuk, Roxanne (eds.) The Public Nature of Private Violence, New York: Routledge, 1994, pp. 93-118. Disponível também em francês: Cahiers du Genre, n° 39, 2005, pp. 51-82).

DA COSTA SANTOS, Thays C. da C.; PEREIRA, Raíssa N. R.; SOARES, Laura S. E. C. Acolhimento institucional de adolescentes: uma intervenção psicossocial. Revista Polis e Psique, 2022, Vol.12 (2), p.87-107. 2022

DASGUPTA, N.; GREENWALD, A. G. On the malleability of automatic attitudes: Combating automatic prejudice with images of admired and disliked individuals. Journal of Personality and Social Psychology, v. 81, n. 5 p. 800–814, 2001.

DEL PRIORI, M. A criança negra no Brasil.In JACÓ-VILELA, AM., and SATO, L., orgs. Diálogos em psicologia social [online]. Rio de Janeiro: Centro Edelstein de Pesquisas Sociais, 2012. p. 232- 253. ISBN: 978-85-7982-060-1. Available from SciELO Books .

DE SOUZA, Isadora Teresa Paulo. Aplicação do Programa Candeia com adolescentes em processo de desligamento por maioridade: um relato de experiência. 2023. Trabalho de conclusão de curso. De Psicologia Instituto de Psicologia. UFRRJ.

DEVULSKY, A. Colorismo. São Paulo: Jandaíra, 2021.

ESPINDOLA, Sandro P.; VIANA, Marcos B.; OLIVEIRA, Maria H. B. Crianças e adolescentes acolhidos no estado do Rio de Janeiro: a adoção é a solução? Saúde Debate, 43, 2019.

FANON, F. Pele negra, máscaras brancas. Salvador: EDUFBA, 2008.

FOUCAULT, M. The History of Sexuality. Volume 1: an introduction. Nova Iorque: Panteon Books: 1978.

GALONI, L. L. A Inserção Ecológica em pesquisa com adolescentes do sexo feminino em acolhimento institucional: Analisando o processo de desligamento institucional por maioridade. 2020. Dissertação (Mestrado em Psicologia) – Programa de Pós-Graduação em Psicologia, Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, Seropédica.

GALONI, L. L. et al. O processo de institucionalização da infância preta em asas de acolhimento. Mosaico - Revista Multidisciplinar de Humanidades, Vassouras, p. 56-64, 2022.

GONZÁLES-REY, F. Sujeito e subjetividade: uma aproximação histórico-cultural. São Paulo: Pioneira Thompson, 2003.

GONZÁLEZ, L. Racismo e sexismo na cultura brasileira. Revista Ciências Sociais Hoje, São Paulo, p. 223-244, 1984.

HONORATO, M. da C. Racismo, saúde mental e território: percepções e vivências de lideranças do Movimento Negro de Nova Iguaçu, Rio de Janeiro. 2020. Dissertação (Mestrado em Saúde Pública) - Fundação Oswaldo Cruz, Rio de Janeiro.

HOOKS, B. A gente é da hora: homens negros e masculinidade. São Paulo: Elefante, 2022. INSTITUTO REDE ABRIGO. Avaliação Longitudinal das Instituições de Acolhimento(Relatório Final). Rio de Janeiro: Instituto Rede Abrigo, 2021. Disponível em:https://bit.ly/3BcaBDr. Acesso em junho de 2023.

JESUS, C. M. de. Quarto de despejo – Diário de uma favelada. São Paulo: Ática, 1992.

KRÜGER, H.. Cognição, estereótipos e preconceitos raciais. In: LIMA, M. E. O.; PEREIRA, E. P. (orgs.). Estereótipos, preconceitos e discriminação: perspectivas teóricas e metodólogicas. Salvador: EDUFBA, 2004.

LIMA, M. E. O.; VALA, J. Serão os estereótipos e o preconceito inevitáveis? O monstro da automaticidade. In: LIMA, M. E. O.; PEREIRA, E. P. (orgs.). Estereótipos, preconceitos e discriminação: perspectivas teóricas e metodólogicas. Salvador: EDUFBA, 2004.

MORGAN, D. L. Focus groups as qualitative research.California: SAGE Publications Inc., 1997.

NASCIMENTO, A. O genocídio do negro brasileiro: processo de um racismo

mascarado. São Paulo: Paz e Terra, 1978.

NJERI, A.; ANKH, K.; MENE, K.. Mulherismo Africana: proposta enquanto equlíbrio vital a comunidade preta. Ítaca, Rio de Janeiro (RJ), n. 36, 2020.

NOGUEIRA, O. Tanto preto quanto branco: estudo de relações raciais. São Paulo: T. A. Queiroz, 1979.

NOGUEIRA, S. Intolerância e racismo religioso. São Paulo: Pólen, 2019 (Coleção Feminismos Plurais).

NOVA, Adeildo V. et al. Racismo estrutural e institucional e a justiça da infância e juventude: a (des)proteção de crianças e adolescentes negros/as pobres. Serviço Social e Saúde, Campinas (SP), v. 19, p. 01-32, 2021. Disponível em: https://bit.ly/4e7RIjD. Acesso em junho de 2023.

OLIVEIRA, Daniela M. de. Violência institucional contra crianças e adolescentes em situação de acolhimento. Trabalho de Conclusão de Curso (graduação em Serviço Social) - Instituto de Ciências Sociais Aplicadas, Universidade Federal do Pampa, São Borja, Rio Grande do Sul, 2024.

PINHO, O. A “Fiel”, a “Amante” e o “Jovem Macho Sedutor”: sujeitos de gênero na periferia racializada. Saúde e Sociedade, São Paulo (SP), v. 16, n. 2, p. 133-145, 2007. POMMER, W.; Clarice, P. A metodologia do grupo focal e a formação continuada do professor: um olhar interativo envolvendo a articulação cognição e emoção. Revista Itinerarius Reflectionis, Jataí (GO), v. 10, n. 2, jul./dez. 2014.

RIZZINI, I.; RIZZINI, I. Institucionalização de crianças no Brasil:percurso histórico e desafios do presente. Rio de Janeiro. Ed. PUC-Rio, 2004.

SANTOS, E. da S. O legado de Virgínia Leone Bicudo para a sociologia da infância no Brasil. Cadernos de Pesquisa, São Paulo (SP), v. 48, n. 170, p. 1194-1217, out./dez. 2018. SARAIVA, V. C. dos S. Abrigo, prisão ou proteção? Violência estatal contra crianças e adolescentes negros abrigados. Argumentum, Vitória (ES), v. 11, n. 2, p. 76–92, 2019. Disponível em: https://periodicos.ufes.br/argumentum/article/view/23813. Acesso em junho de 2023.

SEVERO, R. T. Letramento racial e técnicas de si. Fórum Linguístico, Florianópolis (SC), v. 18, n. 3, p. 6400-6415, 2021.

SILVA JUNIOR, P. M. Narrativas de adolescentes negros: entre masculinidades, cotidiano escolar e vivências.Cadernos de Gênero e Diversidade, Florianópolis (SC), v. 5, n. 2, 2019.

SOUZA, D.; GÓIS, J. B. H. ; OLIVEIRA, L. B. F. Sexualidades dissidentes e a violência no ambiente escolar entre jovens da periferia. In: JORGE, Amanda Lacerda; BRANDÃO, André A. P.; SOUZA, Sidimara C. Juventude e periferia no século XXI. Niterói: Syal letras e Livros, 2023.

SOUZA, L. A. da S; LINO, M. V. Proteção tem cor: problematizando o acolhimento institucional de crianças e adolescentes negros. Serviço Social em Debate, Carangola (MG), v. 5, n. 1, 2022.

TAJFEL, Henri.; TURNER, Jhon. C. An integrative theory of intergroup conflict. In W. G. Austin, & S. Worchel (Eds.), The social psychology of intergroup relations (pp. 33-37). Monterey, CA: Brooks/Cole, 1979.

VILLAS BOAS, M. J. V. B. Masculinidade entre crianças negras: uma reflexão entre raça e gênero no Nêgo Fugido em Acupe/BA. Cadernos de Gênero e Diversidade, Florianópolis (SC), v. 5, n. 2, p. 103-122, 2019.

WELZER-LANG, D. A construção do masculino: dominação das mulheres e homofobia.Revista Estudos Feministas, Florianópolis (SC), v. 9, n. 2, p. 460-482, 2001.

Téléchargements

Publiée

2025-12-16

Comment citer

GALONI, Luana; CAMPOS DE SOUZA, Douglas. “Por que tem que falar de preto, o que nós fez?”: Uma análise interseccional com adolescentes acolhidos. DIKÉ Revista do Mestrado em Direito da UFS, [S. l.], v. 12, n. 1, p. 76–89, 2025. Disponível em: https://periodicos.ufs.br/dike/article/view/23186. Acesso em: 18 avr. 2026.