Os pescadores artesanais e a Reserva Extrativista Marinha de Itaipu-Niterói (RJ)

os saberes que emergem dos conflitos socioambientais

Autores

DOI:

https://doi.org/10.47401/revisea.v13.23429

Palavras-chave:

Conflitos socioambientais, Educação ambiental, Pescadores Artesanais, Reserva Extrativista Marinha

Resumo

A praia de Itaipu está localizada em Niterói, no estado do Rio de Janeiro. A partir da década de 1990, os pescadores artesanais iniciaram a luta pela criação da Reserva Extrativista Marinha de Itaipu, que somente se concretizou em 2013. A pesquisa de cunho qualitativo, pautou-se em uma inicial revisão de artigos sobre esse tema, visitas a campo, observação participante (Brandão, 1999) e realização de entrevista semi estruturada (Minayo, 1994) com pescadores artesanais,  antigo e atual gestores dessa unidade de conservação. Para analisar as informações construídas nesse processo metodológico, utilizamos a autora Laurence Bardin (1970) e sua proposta de análise de conteúdos. Após doze anos de criação dessa unidade de conservação, esse artigo busca responder às seguintes questões: Quais são as práticas sociais e educativas que emergem deste conflito? E, mais especificamente, que macro-tendências da Educação Ambiental (Layrargues; Lima, 2014) estão sendo acionadas neste processo?  

Palavras-chave: Conflito Socioambiental. Educação Ambiental. Pescadores Artesanais. Praia de Itaipu. Reserva Extrativista Marinha.  

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Biografia do Autor

Juliana Lopes Latini da Silva, Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro-UNIRIO/ Programa de Pós-Graduação em Educação (PPGEdu)

Doutoranda em Educação pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (PPGEDU/UNIRIO), sob a orientação do Prof. Dr. Celso Sanchez. Integra o Grupo de Estudos em Educação Ambiental desde el Sur (GEASur) e desenvolve pesquisa com foco nas práticas pedagógicas de educação ambiental nos contextos formal e não formal, em articulação com movimentos sociais e populações tradicionais. Atuou como pesquisadora no Projeto Mapa de Conflitos envolvendo Injustiça Ambiental e Saúde no Brasil, da Fundação Oswaldo Cruz (FIOCRUZ), em 2024, com passagem anterior pelo mesmo projeto entre 2012 e 2014. É professora de História na Educação Básica, com mais de 12 anos de experiência no Ensino Médio, desenvolvendo atividades voltadas à Educação Ambiental de Base Comunitária. É mestre em Ciências Sociais em Desenvolvimento, Agricultura e Sociedade pelo CPDA/UFRRJ (2011), onde analisou o caso da Comunidade Tradicional do Morro das Andorinhas, em Itaipu, Niterói (RJ), sob orientação da Prof. Dr. Maria José Teixeira Carneiro, com financiamento da CAPES. Graduada em História (bacharelado e licenciatura) pela Universidade Federal Fluminense (UFF, 2006), participou como bolsista de Iniciação Científica (PIBIC/CNPq), sob orientação do Prof. Dr. Roberto Kant de Lima, com pesquisa sobre a história dos pescadores artesanais de Itaipu, Niterói (RJ). Entre 2004 e 2011, atuou como pesquisadora no Núcleo de Ensino, Pesquisa e Extensão em Administração Institucional de Conflitos (NEPEAC/PROPPI/UFF) e no Grupo de Pesquisa em Ciência, Natureza, Informação e Saberes (CINAIS/UFRRJ), com foco em administração de conflitos e populações tradicionais.

Marcelo Aranda Stortti, CETEAL/GEASUR (UNIRIO)

Possui doutorado em Educação pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro - UNIRIO e mestrado em Educação pela UNESA. Possui graduação e licenciatura em Ciências Biológicas pela UGF. Especialização em Malacologia, Ensino de Ciências e Biologia na FIOCRUZ e no Centro Internacional de Estudos Pedagógicos - CIEP na França.É membro do Grupo de Estudos em Educação Ambiental desde el Sur (GEASur) e do Grupo Reexistência/IFBA. Participa da Rede Internacional de Pesquisadores sobre Povos Originários e Comunidades Tradicionais - RedeCT e da Rede Internacional de Estudos Decoloniais na Educação Científica e Tecnológica - RIEDECT.É co/orientador do Programa de Pós-Graduação em Educação da Faculdade de Educação - FACED-UFBA.Trabalhou na FIOCRUZ e em outras instituições de pesquisa. Exerceu a atividade de Coordenador do curso de Licenciatura em Biologia pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Duque de Caxias e trabalhou em outras instituições de ensino e pesquisa como CEFET-RJ e IFRJ. E foi consultor de projetos socioétnicoambientais em Organizações Não Governamentais internacionais (CARE), movimentos sociais realizando pesquisas e atividades nas áreas de educação Étnico-Raciais, meio ambiente, saúde e direitos humanos. Atua nas áreas de Educação ambiental, em Ciência, Ensino de Biologia e indígena, sendo seus principais temas de interesse: aprendizagem de povos originários/tradicionais, escolar, educação intercultural, educação ambiental, decolonialidade, formação de professores e pesquisa colaborativa de inovações educacionais.

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Publicado

30.09.2025

Como Citar

Lopes Latini da Silva, J., & Aranda Stortti, M. (2025). Os pescadores artesanais e a Reserva Extrativista Marinha de Itaipu-Niterói (RJ): os saberes que emergem dos conflitos socioambientais . Revista Sergipana De Educação Ambiental, 12(1), 1–26. https://doi.org/10.47401/revisea.v13.23429