A questão ambiental na formação superior:
concepção, racionalidade e saber ambiental
DOI:
https://doi.org/10.47401/revisea.v13.24545Palavras-chave:
Educação Ambiental Crítica; ensino superior; percepção ambiental; racionalidade ambiental; saber ambiental.Resumo
Este artigo analisa as percepções de docentes e gestores do ensino superior acerca dos conceitos de ambiente e Educação Ambiental, compreendendo-as como expressões de disputas epistemológicas, políticas e curriculares que atravessam a formação universitária. Trata-se de uma pesquisa qualitativa que articula a análise documental do Plano de Desenvolvimento Institucional (PDI) e entrevistas semiestruturadas em uma instituição pública federal. Os dados foram examinados por meio da Análise de Conteúdo, à luz dos referenciais da Educação Ambiental Crítica. Os resultados indicam relativa convergência em torno de uma concepção ampliada de ambiente, compreendido como uma totalidade dinâmica que integra dimensões naturais, sociais e culturais. Contudo, no campo da Educação Ambiental, predominam leituras pragmáticas e normativas, com limitada problematização das determinações histórico-estruturais da crise ambiental. Ainda assim, emergem perspectivas críticas que compreendem a crise ambiental como expressão de uma crise civilizatória, vinculando a Educação Ambiental ao enfrentamento das desigualdades e à disputa de projetos de sociedade, sobretudo no plano documental. Portanto, o descompasso entre a compreensão ampliada de ambiente e a operacionalização restrita da Educação Ambiental evidencia limites à transversalidade na formação superior, frequentemente condicionada a iniciativas individuais. O fortalecimento desse campo demanda a superação de abordagens fragmentadas, com a consolidação de práticas curriculares e institucionais orientadas pelo diálogo de saberes, pela justiça ambiental e por um compromisso formativo emancipatório.
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